Psicóloga Millena Mendonça fala sobre ‘obstáculos’

por Millena Mendonça/Psicóloga

A pedra no meio do caminho, é um obstáculo que convoca o indivíduo à uma superação. Esta metáfora retirada da poesia de Drummond, está posta nos enredos de filmes, séries, novelas, nas biografias e nos contos infantis, tal qual podemos observar em Chapeuzinho Vermelho, quando esta empenhou-se para salvar-se do lobo com a ajuda de um lenhador, ou em Alice no País das Maravilhas, que com o apoio do Chapeleiro Maluco, conseguiu vencer a Rainha de Copas. O caminhar por entre as pedras, retirando-as do meio do caminho, requer um investimento de viver, de fazer “a coisa viva” acontecer, ainda que outras pedras surjam lá na frente, porque viver é pulsação contínua, é caminhar para uma construção individual. Trazendo a ideia de construção para o assunto psicoterapia, “fazer a coisa viva” acontecer, seria construir as beiradas do impalpável, daquilo que está no inconsciente e que incide sobre o Eu. Nesse caso, a contribuição de um psicoterapeuta no processo de construção, é a ferramenta subjetiva exata, sobretudo para que o próprio indivíduo se reconheça enquanto protagonista de sua história, dando novas direções ao enredo de sua vida, permitindo com sensatez as correlações entre o eu, tu, eles e elas. Digo isso, porque é pela palavra que se pressupõe um dizer do eu endereçado ao tu, eles e elas. E isso funciona em um movimento dialético, o supra sumo das elaborações individuais. Lembremos que, para retirada da pedra no meio do caminho, Chapeuzinho Vermelho teve ajuda do lenhador e a Alice, do Chapeleiro Maluco. Aprendemos muito através dos contos.

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