
O clima político em Brasília esquentou após a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) levar sua filha de quatro meses ao plenário da Câmara dos Deputados durante uma ocupação organizada por parlamentares bolsonaristas. A situação motivou o deputado Reimont (PT-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Casa, a acionar formalmente o Conselho Tutelar do Distrito Federal.
Segundo Reimont, a criança foi exposta a um ambiente de instabilidade e tensão institucional, o que violaria as normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Em documento enviado ao Conselho, ele também criticou a postura da parlamentar por ocupar a mesa diretora da Câmara de forma “irregular e confrontacional”.
O protesto, que durou até o final da noite de ontem, reuniu parlamentares da oposição ao governo federal nas dependências da Câmara e do Senado. Na última terça-feira, Júlia Zanatta já havia levado a filha para a Casa Legislativa e chegou a publicar uma foto sentada na cadeira da presidência, ao lado de outras deputadas oposicionistas.
Após a denúncia, Zanatta reagiu nas redes sociais e acusou seus opositores de politizarem a presença da filha. “Os que estão atacando minha bebê não estão preocupados com a integridade da criança (nenhum abortista jamais esteve). Eles querem é inviabilizar o exercício profissional de uma mulher, usando sim uma criança como escudo”, escreveu a deputada no X (antigo Twitter).
O caso reacende o debate sobre os limites da atuação parlamentar e a presença de crianças em ambientes políticos marcados por tensão e conflito.

