
Internada em Salvador com meningite, a agricultora Vanessa da Cruz Sousa, 19 anos, teve contato com uma das duas vítimas fatais da doença, na cidade de Presidente Tancredo Neves. No município, localizado no Sul do estado, uma suspeita de surto de meningite C fez com que o prefeito decretasse, na terça-feira (5), a suspensão, por uma semana, das aulas em todas as escolas municipais. Entre os dias 29 de junho e 1º de julho, foram registrados três casos da doença – com duas mortes.
No dia 29, um garoto de 13 anos foi diagnosticado com a doença e morreu no mesmo dia. No dia seguinte, 30, foi a vez de uma mulher de 31 anos, que morreu no sábado (2). O terceiro caso foi justamente o de Vanessa. De acordo com o namorado dela, o técnico em agropecuária Silvanei Barbosa, 26, a jovem está em uma área isolada do Hospital Couto Maia desde a tarde de sábado.
O contato com a segunda vítima aconteceu na festa de São João da cidade. “Era uma festa aberta, na praça. No dia da festa, ficamos a uma distância de três, quatro metros dela (a outra vítima)”, conta Silvanei.
No início da noite de sexta-feira (1), Vanessa começou a apresentar os primeiros sintomas – dor de cabeça e febre. Ela já estava em Salvador desde a quinta-feira, com Silvanei, devido a compromissos pessoais. Assim, na manhã de sábado, foram para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Pernambués.
Inicialmente, os médicos acharam que ela tinha alguma doença viral – como dengue ou zika. “Tinha aparecido umas manchas pequenas na pele dela. Eles deram remédios para controlar a febre e a dor, mas, depois da medicação, percebi que as manchas aumentaram”, lembra o namorado. Também passou a ter outros sintomas, como vômito, dores nas pernas e até desmaio. Fizeram, então, novos exames.
Foi aí que identificaram a meningite. Vanessa foi isolada e, depois, encaminhada ao Hospital Couto Maia. Por enquanto, não há previsão de alta. Mas, segundo a Vigilância Epidemiológica do estado, ela responde bem ao tratamento.
Quimioprofilaxia
Todas as pessoas que tiveram contato direto com Vanessa ou com as outras duas vítimas devem procurar uma unidade de saúde para tomar uma medicação para prevenir a doença – e fazer a chamada quimioprofilaxia. Por ‘contato direto’ deve-se entender, por exemplo, ter estado em um cômodo fechado com uma das vítimas, ou no mesmo carro, por exemplo, segundo o coordenador de imunizações e Vigilância Epidemiológica das doenças imunopreveníveis da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), Ramon Saavedra.
Ainda segundo ele, não é possível afirmar ainda que existe um surto de meningite na cidade. “A questão da localidade e o período tem uma associação que sugere uma relação com os festivos juninos. Nessa época, as pessoas ficam mais aglomeradas, ainda mais no inverno. E a meningite é transmitida de pessoa para para pessoa e acaba facilitando”, explica. Contudo, a relação de todas as vítimas ainda é investigada pelo órgão de saúde. Segundo a Sesab, os três moravam em bairros diferentes na cidade – embora tanto Vanessa quanto a outra mulher vivessem na zona rural. O adolescente de 13 anos, por outro lado, morava na zona urbana.
Ainda não se sabe se a meningite é tipo C ou W, segundo ele. As duas são causadas por bactérias, mas a tipo C é considerada mais agressiva, porque tem mais índices de óbitos. “A gente precisa saber qual é o sorogrupo até para se falar em vacinação. O exame que foi feito até então não teve capacidade de identificar se é um ou outro”, admitiu. No entanto, uma equipe da Sesab já foi deslocada para a cidade desde a terça-feira (5).
Para ele, a decisão do prefeito de suspender as aulas nas escolas municipais foi um “excesso de zelo”. “O município tem autonomia para fazer isso, mas não havia essa recomendação do Ministério (da Saúde) nem do estado. Não há problema nenhum em ter tomado essa decisão, mas o período (de uma semana) é razoável, porque o período de incubação é de até 10 dias”.
Segundo ele, se aparecer algum novo caso após ter completado 10 dias da última ocorrência confirmada – por enquanto, a de Vanessa – vai ser possível afirmar que o novo registro não tem a ver com os três casos. Para se prevenir da doença, a recomendação é tomar a vacina. Na rede pública, ela está disponível para crianças com idades até 2 anos. Além disso, Saavedra diz que é importante fazer a “etiqueta da higiene”. “Quando for espirrar, se proteger com lenço, sempre lavar as mãos e evitar compartilhar objetos pessoais”.

