APÓS DISPAROS, WAGNER DEFENDE SUBSECRETÁRIO. DEPUTADOS COBRAM MEDIDAS MAIS DURAS

jacques_zangado

As opiniões se dividem sobre a atitude do subsecretário de Segurança Pública da Bahia, Ari Pereira. O assunto ainda rende e o governador Jaques Wagner se pronunciou sobre a tentativa de invasão do Movimento dos Sem Terra (MST) ao prédio da SSP, nesta terça-feira (10). O governo irá apurar o caso, mas Wagner considerou “exagerada” a ação do MST.

“Eu não acho razoável que você, às 8 horas da manhã, chegue na Secretaria de Segurança Pública, com as portas abertas, para invadir. Não havia motivo nenhum para que as pessoas tivessem tentado fazer um ato daquela natureza. Agora, as pessoas não podem confundir a democracia com baderna. Não é razoável que você tenha a sede da Segurança Pública ou qualquer outra sede ocupada, invadida, por uma porção de gente com foice, facão, enxada”, disse em entrevista concedida a uma rádio.

O governador também saiu em defesa do subsecretário, que fez disparos para dispersar os manifestantes. “Foi um gesto para realmente intimidar e não se concluir o processo de ocupação e invasão no prédio da Secretaria de Segurança Pública. Daqui a pouco um integrante do movimento ia estar sentado, só me faltava essa, na cadeira do secretário”.

O secretário da pasta, Maurício Barbosa defendeu o gestor e disse ser “intolerável o tipo de ação do movimento”. “Invasão com facão e foice é intolerável. Ele estava resguardando a integridade física dele, dos servidores e do patrimônio. Eles não entraram para conversar e sim para atacar. Por isso, não há problemas na atitude do subsecretário”.

Entre os deputados estaduais a opinião é a mesma: a atitude de Pereira é injustificável. Para o petista Marcelino Galo a atitude dos integrantes do movimento é reflexo da paralisação da reforma agrária no país. “Tem uma ano que a Bahia não realiza nenhuma desapropriação de área. Nós temos que destravar e destensionar. A atitude do subsecretário é injustificável, porque não é com violência que nós vamos debater uma questão social e estrutural do nosso país”.

A deputada estadual Maria Del Carmem (PT) também cobrou uma apuração por parte do governo. “Espero que o estado tenha alguma atitude porque apontar arma é para bandido e o povo não é inimigo”.

O deputado federal Antonio Imbassahy (PSDB) considerou o fato descabido. Para o deputado, são injustificáveis os argumentos apresentados pela secretaria. “É inconcebível como a inteligência – se é que ela existe – da SSP não tinha a informação de que o MST, há dias acampado à frente da Secretaria de Agricultura, metros adiante, iria tentar invadir o prédio do órgão que cuida exatamente da segurança pública no Estado. Sem o devido equilíbrio para agir numa situação delicada, como um subsecretário de segurança pode passar confiança aos seus comandados?” Luiza Maia (PT) já foi mais direta: quer a exoneração do subsecretário. (Bocão News).

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