
A prefeitura de Porto Seguro, no sul baiano, contratou uma empresa gráfica para prestar serviços de impressão por um período de um ano, no valor total de R$ 4,9 milhões. Conforme contrato divulgado no Diário Oficial do município, a responsável pelo fornecimento de papel e tinta é a Raphemaster Comercial Gráfica, empresa com sede em Simões filho, na Região Metropolitana de Salvador – 700 quilômetros distante da cidade da Costa do Descobrimento. Em 2010, o Ministério Público da Bahia (MP-BA) abriu inquérito para investigar uma denúncia na prefeitura do município vizinho de Santa Cruz Cabrália, que utilizou recursos do Fundo Municipal de Educação para confecção de material que nunca chegou às carteiras das escolas municipais. O material custou aos cofres R$ 213 mil e era de responsabilidade da Raphemaster. Segundo reportagem do Portal R7, o contrato com a Raphemaster é para prestar serviços gráficos às Secretarias municipais até fevereiro de 2015. O contrato teve início em fevereiro deste ano e, apesar do valor considerado estratosférico, moradores de Porto Seguro afirmaram à reportagem que não têm conhecimento de lançamento de livro, panfletos, folhetos ou material para servidores públicos, professores ou alunos da Rede Municipal de Ensino. Em 2012, a prefeitura de Porto Seguro já havia firmado contrato com a mesma empresa, na gestão do ex-prefeito Gilberto Abade (PSB). O valor: R$ 3,29 milhões. No início da gestão da atual gestora, Cláudia Oliveira (PSD), em 2013, houve um aditamento de R$ 822 mil ao contrato, totalizando R$ 4 milhões e com válidade até fevereiro deste ano, quando foi firmado o novo contrato, de quase R$ 5 milhões. Do valor empenhado, em um ano, a administração municipal tirará dos cofres públicos mais de R$ 408 mil por mês ou cerca de R$ 13 mil por dia apenas com papel e tinta. Em entrevista ao Portal R7, o secretário Interino de Administração, Luís Otávio Gomes, afirmou que a gráfica foi contratada para confeccionar material escolar para a Rede de Ensino. “Eu não conheço detalhadamente esse contrato por que os contratos não passam na minha mão, mas é material gráfico para escolas”, disse. Questionado por que no Diário Oficial estava escrito que seria prestado serviço para diversas secretarias, o chefe da pasta resumiu-se a dizer que o “grosso é da Secretaria de Educação”.

