
O número de processos contra o INSS disparou em 2026, levantando questionamentos sobre a qualidade das análises e as negativas de benefícios previdenciários.
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) enfrenta uma verdadeira avalanche de ações judiciais. Dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apontam que o Judiciário recebeu 2,24 milhões de novos processos contra o órgão em 2026, um aumento de 21% em relação ao mesmo período de 2025. O total acumulado chega a 4,5 milhões de ações.
Especialistas apontam que as negativas de benefícios podem estar entre os principais motivos para a judicialização. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou irregularidades em parte dos indeferimentos analisados, inclusive nos realizados automaticamente.
Um dos casos que chama a atenção é o de um homem de 64 anos, em situação de rua no Rio Grande do Sul, que teve o Benefício de Prestação Continuada (BPC) negado pelo INSS, mas conseguiu o direito na Justiça. A decisão considerou a situação de extrema vulnerabilidade social do beneficiário.
O crescimento das ações contra o instituto não começou agora. Entre 2021 e 2025, o número de processos aumentou 80,5%, segundo os dados citados na reportagem.
Enquanto o governo federal tenta reduzir a fila de pedidos, advogados alertam que a aceleração das análises pode estar transferindo parte do problema para a Justiça. Para tentar conter a judicialização, o Ministério da Previdência, o INSS e o CNJ anunciaram o programa AceleraPrev.
A grande questão é: reduzir a fila basta se o cidadão continua tendo que recorrer à Justiça para buscar um benefício? (Redação: Jackson Cristiano/Ubaitaba Urgente)

