Salvador: Piloto morto em queda de avião na Barra deixa filho e esposa grávida de 8 meses

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Apaixonado por aviões de pequeno porte desde a infância, o piloto gaúcho Robson André Textor, 30 anos, teve o sonho de tornar-se campeão mundial de acrobacias aéreas interrompido de forma trágica no último sábado em Salvador (BA), durante exibição da esquadrilha Textor Air Show, contratada para celebrar o Dia do Aviador.

Ele, o irmão Tiago e o pai conduziam três aeronaves diferentes em um espetáculo que costuma correr os céus de diversas cidades do Brasil há anos, mas André caiu no mar em frente ao Farol da Barra e não resistiu aos ferimentos.

Ele deixa uma filha de dois anos e a mulher, grávida de oito meses. – Pensa num cara empolgado, que é exemplo para a comunidade aeronáutica do país inteiro… Estamos recebendo apoio e solidariedade de onde nem se imagina. Agradecemos muito. O André era uma pessoa indescritível, que deixou um rastro de alegria e paz por onde passou – diz Ruy Alberto Textor, pai dele.

A família de pilotos instalou-se em São Sepé (RS) em 1984, depois que o avô da vítima deixou Santa Maria (RS), onde mantinha uma empresa de manutenção de aviões. Há 20 anos, uma parte dos Textor migrou para Rio Verde (GO) para trabalhar no campo. No Centro-Oeste, abriram uma empresa de aviação agrícola e outra de shows aéreos. Além de atuar no combate a pragas em lavouras e incêndios florestais, por exemplo, eles fecham contratos com prefeituras, bases aéreas e eventos para exibições da esquadrilha, cuja frota é dos próprios familiares. Foram mais de 350 performances até hoje.

André era experiente no manche. Há 16 anos alternava a rotina entre o campo e as acrobacias, e no ano passado sagrou-se campeão brasileiro na modalidade. Dedicado, ele se preparava para disputar o campeonato mundial e pretendia fazer apresentações internacionais junto com o pai e o irmão.

– A aviação está em nós desde sempre. Vamos continuar, tocar a vida para frente. Foi uma fatalidade, ele pilotava uma aeronave nova, não sabemos o que ocorreu – comenta o empresário Mário Textor, tio da vítima, que mora em São Sepé e também trabalha no ramo.

“Só vi os destroços no mar”

O pai de André relatou a Zero Hora que não viu a manobra que tirou a vida do filho. Segundo Ruy Alberto, o avião que caiu em frente ao Farol da Barra era um Slick 540, de fabricação sul-africana, considerado moderno e seguro:

– Eu estava de costas no momento e só vi os destroços no mar. O pessoal do resgate demorou de 10 a 20 minutos para encontrar o corpo, já sem vida. Foi o primeiro (acidente) que vivemos, infelizmente fatal. Pode ter ocorrido falha mecânica ou humana, é difícil falar. Ele era um profissional competente.

Caberá ao Centro de Investigações e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apurar o que ocorreu. O traslado do corpo de André Textor para Rio Verde é feito neste domingo. Ele será velado na cidade goiana e o enterro está marcado para a manhã da próxima segunda-feira.

– Eu lembro de uma história. Uma vez nós construímos um avião e meus filhos ainda eram moleques. Eles pegaram os restos e fizeram aviõezinhos de brinquedo. Eles se criaram no meio e agora André (foto abaixo) ficará cuidando de nós lá dos céus – afirma Ruy Alberto.

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