
A violência parece ter se tornado uma marca da Bahia. Pelo terceiro ano consecutivo, o estado lidera o ranking nacional das cidades mais violentas, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025. Cinco municípios baianos figuram entre os dez com maior taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes em todo o país — um retrato trágico de uma crise que se aprofunda.
Mesmo com os crimes acontecendo nos municípios, a responsabilidade pela segurança pública recai sobre o Governo do Estado, que vem sendo alvo de duras críticas pela falta de ação eficaz no combate à violência.
Entre os destaques negativos está Jequié, no sudoeste do estado, que saltou da terceira para a segunda posição nacional, com uma taxa de 77,6 mortes violentas por 100 mil habitantes. Ao todo, foram 131 mortes registradas em 2024, sendo 44 provocadas por ações das polícias Militar e Civil. A cidade vive sob o domínio do medo, alimentado pela guerra entre facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), que disputam território com sangue e terror. Traições, mortes em presídios e execuções públicas já viraram rotina.
Na terceira posição do ranking, aparece Juazeiro, no norte baiano. Com 194 mortes violentas no ano passado, a cidade atingiu uma taxa de 76,2 por 100 mil habitantes. Lá, o narcotráfico também impõe seu domínio. Facções como o Bonde do Maluco (BDM) e a dissidência chamada “Honda” travam uma guerra sangrenta. A ousadia dos criminosos é tamanha que já ocorreram execuções em plena inauguração de praça pública.
Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), ocupa a quarta colocação com 294 mortes violentas e uma taxa de 74,8 por 100 mil habitantes. A cidade é palco de uma guerra paralela entre facções locais como a Km Linha Verde (KLV) e o MK, que promovem execuções em bares e confrontos armados nas divisas dos bairros.
Na sétima posição, está Simões Filho, também na RMS, que repete presença entre as cidades mais violentas pelo terceiro ano seguido. A cidade vive mergulhada em um ciclo de mortes e disputas pelo tráfico, sem respostas concretas das autoridades estaduais.
Fechando o ranking nacional está Feira de Santana, segunda maior cidade da Bahia. O município registra números alarmantes de homicídios, muitos deles envolvendo menores de idade. A presença de facções e a ausência de políticas públicas eficientes ampliam a crise da violência.
O avanço da criminalidade em todo o estado é atribuído, principalmente, à disputa territorial entre organizações criminosas. O que se vê é um cenário de guerra urbana, onde a população vive refém do medo e da omissão do poder público. Enquanto isso, o governo estadual permanece silencioso diante do banho de sangue que toma conta da Bahia. (Redação: Jackson Cristiano/Ubaitaba Urgente)

