Condenados conseguiram 80 empréstimos consignados para eles mesmos, familiares e servidores fantasmas. Condenados por crime contra o patrimônio, o ex-presidente da Câmara de Itabuna, Clovis Loiola (dir na foto), e seus ex-comandados Kléber Ferreira Silva e Eduardo Freire Menezes (esq), além de José Rodrigues Júnior lideraram o grupo .
Eles conseguiram empréstimos simultâneos em três bancos. De acordo com a Polícia Federal e Ministério Público, o esquema articulado pelos quatro condenados pela Justiça Federal possibilitou que diversas pessoas tivessem acesso a quase 70 empréstimos com desconto em folha.
As investigações revelaram que os envolvidos no esquema fraudavam os contracheques. Loiola, Freire (ex-diretor-administrativo), Kleber (ex-diretor de recursos humanos), José Rodrigues Jr (assessor de recursos humanos) foram condenados pelo juiz da 1ª Vara Federal Victor Cretella Passos Silva.

O ex-presidente da Câmara foi condenado a 6 anos de prisão no regime semiaberto. A mesma punição foi aplicada ao ex-diretor de Recursos Humanos da Casa, o ex-vereador Kléber Ferreira. O magistrado considerou o fato dos dois não terem antecedentes criminais. Já Eduardo Freire foi condenado a 1 ano e 8 meses de prisão, enquanto José Rodrigues Júnior teve pena de 3 anos e 9 meses de prisão. As penas contra os dois foram convertidas em prestação de serviço comunitário.
Eles também devem pagar multa de 10 salários mínimos. Mas os quatro líderes do esquema de adulteração de contracheques ainda podem ser condenados em outros processos. A decisão da Justiça Federal é relativa apenas ao inquérito aberto pela Polícia Federal para investigar a fraude na obtenção de empréstimo consignado na Caixa Econômica Federal.
O grupo liderado pelos condenados conseguiu empréstimos consignados também no Banco do Brasil e Bradesco. O esquema movimentou cerca de R$ 2,5 milhões, segundo investigações. Na sentença, o juiz observa que os condenados arregimentaram servidores fantasmas para o esquema.
Laranjas
Foi descoberto que Loiola, Kleber, José Rodrigues e Eduardo Freire usaram “laranjas” e falsificando contracheques de chefes de gabinete, diretor administrativo, encarregado de serviços gerais e prestadores de serviços da Câmara de Vereadores.
Segundo as investigações, José Rodrigues Júnior conseguiu quatro empréstimos usando informações falsas no contracheque. O primeiro, de R$ 10 mil em janeiro de 2009, parcelado em três anos, o segundo em fevereiro, de R$ 20 mil, o terceiro de R$ 20 mil, em março.
Em abril ele conseguiu o quarto empréstimo, de R$ 26.150,00. Para o primeiro empréstimo, Júnior informou renda de R$ 3.876,39; para o segundo, fraudou contracheque de R$ 3.634,43. Ele justificou os dois últimos contratos com apresentação de salário bruto de R$ 4.452,68 mensais.
Toda a investigação começou a partir das denúncias, exclusivas e em primeira-mão, feitas pelo jornal A Região, em seguida investigadas pelo promotor Inocêncio de Oliveira. (A Região).


